UFOS, UFOLOGIA E CEGUEIRA CIENTIFICISTA

Resposta a Marcelo Gleiser

Friday, March 21, 2008

MURAL DA UFOLOGIA BRASILEIRA

Este blog faz parte do Mural da Ufologia Brasileira em www.mural_da_ufologia.blogspot.com da SOCEX-Sociedade de Estudos Extraterrestres (www.socex.net)

Saturday, August 13, 2005

UFOS, UFOLOGIA E CEGUEIRA CIENTIFICISTA

UFOS, UFOLOGIA E CEGUEIRA CIENTIFICISTA

Prof. Alberto Francisco do Carmo

(resposta ao Artigo ÓVNIS Sobre a Terra - Marcelo Gleiser - Caderno Mais - Folha de São Paulo-30/1/2000 - Nota: assim mesmo - ÓVNIS com acento )

Parece que é sina de nós ufólogos, após anos de vivência da investigação e pesquisa do fenômeno UFO -ou OVNI, como queiram, termos de agüentar - de vez em quando - umas barbaridades eruditas. E de quem nunca pesquisou ou nada sabe acerca dele. E aí a coisa vem naquele tom de "magister dixit", que talvez pudesse ser completada com um "magister dixit...nihil" . Ou, quem sabe, com um velho dito mineiro que sentencia: "pretensão e água benta cada um toma do que 'guenta".

Bem, de início, o articulista parece espantar-se com o tamanho do OVNI triangular (tamanho de um campo de futebol) e daí partir para algumas afirmações de leigo em assuntos, que simplesmente desconhece.

UFOS EM FORMA DE DELTA E BOOMERANG

Não é novidade para nós ufólogos: há uns dez anos mais ou menos, começaram aparições mais freqüentes de UFOS triangulares gigantescos., ou do tipo "boomerang". Já haviam casos antigos, mas não tão ostensivos. Eles foram assunto do último livro do saudoso Dr. Joseph Allen Hynek, astrônomo, Ph.d., que se aposentou como chefe do Departamento de Astronomia da Northwestern University. Foi especialista em atmosferas estelares e primeiro consultor da Força Aérea dos Estados Unidos para o assunto UFOS. E que cético a princípio, converteu-se e fervorosamente à causa por melhores condições de pesquisa para o fenômeno. Ah, e meu amigo. 'Tá bom assim Mr. Gleiser? Ou você quer mais uns títulos tão prestigiáveis ou "pour épâter le bourgeois"? Tão caros a este ambiente em que você vive e freqüenta, não é mesmo?

Pena que você não o tenha conhecido como muitos de nós. E aí ficaria uma pergunta para você e que nós nos fizemos muito. Por que será que um homem, como esse respeitável senhor americano, com esse cabedal que o empurrava para um cientificismo tão radical quanto o seu, resolveu mudar de idéia?

A ONDA BELGA

A seguir, os triângulos se manifestaram na Bélgica entre 1989 e 1990. Físicos belgas da Universidade Livre de Bruxelas e da Universidade Católica de Louvain estudaram o fenômeno. Gente especialista em física de plasma, física teórica, gente que até trabalha com universidades brasileiras, como a UnB. Exames da melhor foto de um desses triângulos desenvolvidos na École Royale Militaire, mostraram -através de estudos espectroscópicos e de computador- que as luzes eram produzidas por nitrogênio ionizado. Isto não é característica de luz nenhuma de nenhum tipo de aeronave conhecida. Além disto a trajetória de muitos dos objetos da vaga belga, plotadas por caças F-16, tinham trajetórias que eram quase um movimento browniano, o que os deixou simplesmente impotentes para qualquer ação interceptadora. Isto num país que é sede da OTAN.

O dossier feito por físicos (como o Sr. Gleiser) se distribui em dois volumes de 500 páginas cada um. Informações: lbrenig@ulb.ac.be.

DEPOIS, NO BRASIL...

Outro caso para os caderninhos: em outubro de 1996 um empresário gaúcho, administrador de uma empresa de beneficiamento de arroz, hoje com seus quarenta e poucos anos de idade, piloto civil, sujeito de posses, proprietário de um monomotor e piloto civil experiente, passou por uma experiência arrepiante. Num vôo sobre a Lagoa dos Patos deu de cara com uma nave em forma de pirâmide octogonal, cuja base era comparável às dimensões do estádio Beira Rio. Portanto mais um caso de nave com dimensões do tamanho de um campo de futebol. Por dez minutos, ele não só se aproximou do OVNI imenso, como deu voltas em torno dele, viu uma tampa se abrir no topo e dela sair um OVNI menor. Depois a coisa soltou um jato avermelhado na vertical. Um funcionário identificado da Infraero foi alertado pelo rádio pelo empresário-piloto .Disse "olhei para fora e vi no horizonte um objeto em forma de triângulo acinzentado com as bordas arredondadas."A revista ISTOÉ apresentou a história toda e de forma muito digna em 27/11/96 em seu número 1417.

"ESPECIALISTAS"... SERÁ QUE ENTENDEMOS DE COISAS QUE VOAM?

A seguir, o articulista em tom de glosa, com direito a chamar ufólogos de "especialistas"(entre aspas), cita com ênfase visivelmente jocosa a afirmação "este veículo certamente não é compatível com nenhum veículo que conhecemos". Pareceu-nos uma subliminar insinuação de que se estaria dizendo algo precipitado.

Que não se duvide da competência de tal afirmação. Depois de muitos anos, por exemplo, muitos ufólogos sabem que aviões são obrigados a ter três tipos de luzes: vermelha à direita, verde à esquerda para quem está fora do avião e de frente ou mais ou menos de frente. Em relação a quem está no avião é exatamente o contrário: verde à direita e vermelha à esquerda. Isto aliás, para quem tem prática dá uma regra simples para observação noturna. Se alguém vê verde à esquerda e vermelha à direita o avião está vindo; se vê verde à direita e vermelha à esquerda, o avião está se afastando. Além disto há uma luz anti-colisão, vermelha e piscante, na fuselagem. E as "strobo-lights" na ponta das asas ou da empenagem. Isto é uma regra internacional. Portanto "luzes brancas FORTES PISCANDO em sua traseira e outras tantas vermelhas em sua parte inferior" fogem ao padrão DE QUALQUER AERONAVE DO MUNDO! Sorry, Mr. Gleiser. Os "especialistas" tinham razão.

Em seguida, e pelo acima exposto, é bom lembrar que os Estados Unidos têm a sua aeronáutica regida por uma das mais severas normas de segurança de vôo do mundo, que impedem que uma nave deste porte e ainda por cima experimental voe tão baixo sobre áreas povoadas e de madrugada. E a toda poderosa FAA, ou Federal Aviation Administration, chata como ela só, que fez e faz exigências até descabidas de reforço e modificações, do Concorde ao Bandeirante.? Iria ela permitir uma doidice como esta? E então: é possível resposta afirmativa a um "será que o governo americano estava testando uma nova espécie de objeto voador?". Se a região fosse algum ponto do Deserto de Mojave ou alguma área erma da Califórnia, do Arizona ou do Novo México, tudo bem. Mas sobre uma área povoada de um estado como Illinois? Sobre o Vale do Rio Hudson? Sobre a sede da OTAN? Sobre a Lagoa dos Patos? E as normas de segurança? E o respeito ao espaço aéreo?

ASPECTOS DA INDÚSTRIA AERONÁUTICA CONTEMPORÃNEA E AERODINÃMICA

É claro que os B-2 podem ter sido confundidos com OVNIs sobre desertos do Sudoeste Americano. Mas...e sobre o vale do Rio Hudson, numa das regiões mais densamente povoadas dos Estados Unidos, assunto do último livro do Dr. Hynek? E tem mais: B-2 não são coalhados de luzes e não são capazes de vôos estacionários. ! E não são muito grandes como os "boomerangs" vale do Hudson. E tanto os triângulos como os boomerangs algumas vezes foram vistos imóveis no ar.

Também arece que o articulista não anda sabendo como é que anda funcionando a indústria aeronáutica nos últimos cinqüenta anos. Primeiro deveria saber (já que é um físico) que aviões terrestres em forma de asa voadora ou delta são de êxito muito limitado.Servem para voar depressa. Para outras, não. Os Mirage da FAB têm o apelido de "Jaca" entre os pilotos. Todo mundo do meio o sabe. Aviões de conformação delta, têm uma velocidade de estol muito alta e quando resolvem cair, caem mesmo. Agora vejam o que aconteceu: "aviões" delta, enormes, passando lentamente sobre uma região densamente povoada, capazes de parar no ar, como nos casos da Bélgica e no Vale do Rio Hudson e agora em Illinois. É uma revolução aerodinâmica e daquelas. E quando a gente sabe, mas o articulista não, que muitos destes triângulos não apresentam os cantos arredondados característicos dos aerofólios, isto é são pentaedros de translação, com base triangular e pequena altura, a coisa complica.

Outro problema é o da asa-voadora. Era um sonho de Jack Northrop, o fundador da Northrop. Mas não deu certo. Para caber coisas dentro delas, como motores, combustível e sobretudo passageiros, tinham de ter seções de aerofólios muito grossas e com uma vasta área frontal. Isto significava resistência ao avanço (drag) muito forte. A Handley Page britânica sonhou com um transporte para uns cento e poucos passageiros com controle de camada limite, mas também ficou no papel.Foi o finado HP-117. Isto em meados dos anos cinqüenta. Atualmente, mesmo com o aparecimento dos chamados perfís aerodinâmivos supercríticos (usados na maioria dos aviões de hoje) que ampliam a capacidade de sustentação e permitem asas menos enflechadas, não funcionam tanto quando o modelo é delta ou asa-voadora.

E agora temos o Northrop B-2 "Spirit", que definitivamente não tem dois andares de altura, é subsônico e tem tido um desempenho militar muito modesto. Aliás todos os projetos ambiciosos norte-americanos dos últimos 35, para bombardeiros pesados anos acabaram dando em "much ado about nothing". O North American B-70 "Walkyrie" (trissônico) acabou revelando-se inviável após um fragoroso desastre, que selou seu destino. O B-1 deu origem ao B-1B (Mach 2 e geometria variável) que até hoje não disse ao que veio. eAcabou sendo copiado e ampliado pelos russos com seu Blackjack. Deixou, portanto, de ser novidade intimidadora antes de sê-lo. E o Northrop B-2 tem tido problemas com sua estrutura de material compósito, que em contato com a umidade, está perdendo sua principal vantagem, a de invisibilidade aos radares. O problema já tem um nome "síndrome de Gremlin".

Enquanto isto, os "sucatões" da USAF, os vetustos Boeing B-52, continuam fazendo o serviço que deveria estar sendo feito por todos esses modernos monstros sagrados e fracassados. Do Vietnam, à Guerra do Golfo, até a recente guerra da Iugoslávia, os B-52 fizeram o serviço grosso, com o agravante de que um supostamente invisível F-117 Nighthawk acabou sendo posto abaixo ignominiosamente. E por um míssil russo daqueles bem antigos.

Finalmente a complexidade das modernizações, que estão atingindo as indústrias aeronáuticas, praticamente inviabilizou a construção de aviões complexos por um único país. Quando o "premier" britânico Harold Wilson pontificou que a era "avião inteiramente inglês estava acabada", ao "enterrar" o caça-bombardeiro TSR-2, causou escândalo. Mas estava certo. A Boeing queria construir um supersônico comercial sozinha, o 2707. Foi vencida por um consórcio franco britânico que gerou o Concorde. Um êxito limitado mas êxito. Nunca caiu em 30 anos de serviço . E apesar de todas as sacanagens americanas contra ele.

Hoje temos a Airbus que envolve França, Alemanha, Inglaterra, Espanha, Itália e sei lá mais quem .E que da linha única de montagem em Toulouse, evoluiu para duas Toulouse e Hamburgo. E vai-se abrir outra na Espanha. E está vendendo mais que a Boeing.

Nos Estados Unidos acaba de ocorrer a inacreditável fusão da Boeing com a Mc Donnell Douglas., como já houvera a da Lockheed com a Martin e da própria Mc Donnell com a Douglas. As que não entraram nesta se danaram. E além disto, tem avião americano com sub-contratante no Japão e até no Brasil. Tem pedaço de Boeing 747 que atravessa o Pacífico inteiro, do Japão até Seattle, para entrar na linha de montagem.

Então, será mesmo possível que alguém ainda tenha tanto dinheiro para construir sozinho "aviões" delta, do tamanho de campos de futebol (um Jumbão não chega a 80m de comprimento) silenciosos, de baixa velocidade de estol e capazes de estacionar no ar? Neste momento os dirigentes da Airbus estão arrancando todos os cabelos que têm e mais os que nascerem, para decidir se constroem ou não o super transporte A3XX para 800, 900 passageiros. E é avião comum. Delta, nunquinha, que eles não são bobos. E até a Embraer tem subcontratantes americanos, chilenos, belgas, espanhóis e franceses. E assim deu certo.

"ALUCINAÇÕES"....

A seguir vem a inevitável: "será que os quatro policiais tiveram uma alucinação simultânea?"

Estava faltando esta. Quem vê discos voadores tem de passar pela pecha de alucinado. Acontece que quem tem alto conhecimento específico e pouco conhecimento geral, esbarra nisto. Qualquer livro de psicopatologia , do tipo a "psiquiatria ao alcance de todos" até algo mais específico e profundo explica: alucinação não é coisa que acontece num estalar de dedos. Ela envolve um processo de mudança de comportamento gradual, até evoluir para o surto claro de delírio. E cessado o surto, ninguém recupera imediatamente suas faculdades. Há uma espécie de "ressaca", de "bode" até que a pessoa volte ao normal. Só a ingestão de poderosos alucinógenos ao mesmo tempo (tipo LSD e não qualquer droga leve) poderia causar "alucinações simultâneas". E dificilmente senão impossível, idênticas. E no caso das psicoses alcóolicas é preciso de um grande tempo de impregnação para se chegar a um estado de "delirium tremens". Mas isto é pouco provável em quatro policiais e americanos. Como é que eles ficaram depois do avistamento? De "bode"? Não? Puderam dar declarações coerentes? Então não foi alucinação.

ESTEREÓTIPOS X CONHECIMENTO ESPECÍFICO

A seguir mais estereótipos de opinião amadora em ufologia. Não senhor, Gleiser. O senhor andou lendo Budd Hopkins demais. Nem todos os seqüestros ocorrem dentro dos quartos das pessoas, nem todos os seres são cinzas, e os exames de natureza sexual não são regra geral. Há muitos tipos de casos seqüestro, desde seqüestro em lugares ermos até casos incríveis como o de um rapaz raptado num ponto de ônibus, tarde da noite, em Aricanduva, São Paulo. E temos descrições de seres de todos os tipos além do "bebê perverso" que o senho cita. Eu mesmo já fiz retrato falado de vários e curiosamente, nunca ninguém me descreveu um ET cinza. Procure uns desenhos meus no "The Humanoids" da Fllying Saucer Review britânica ou também por exemplo no "Le Mystère des OVNI" (R.Jack Perrin-Editions Pygmalion Paris). Há apenas um enigma: a esmagadora maioria é humanóide isto é :cabeça, tronco e membros. Mas daí surgem centenas, talvez milhares de variações sobre o tema. Ah, porque não, os seres tinham de ser assim e não assado, etc.etc. Paciência. Até onde a gente foi, só deu isto. Em caso de dúvidas, perguntem a eles.

A História da Ufologia é longa e seus registros são muito mais complexos do que o Sr. Marcelo Gleiser imagina. Ele poderia por exemplo recorrer à " UFOS and Related Subjects- An Annotated Bibliography" publicada pela bibliotecária chefe de então (1968) Lynn Catoe. Por sinal, o segundo nome na lista de agradecimentos de tal obra, é alguém com quem trabalhei e colaborei por muito tempo: um brasileiro, aviador , psicólogo e ufólogo chamado Húlvio Brant Aleixo.

Desde então acho que nada foi feito neste sentido, nem sei se a tal bibliografia foi ampliada. Mas para um principiante como o articulista, dá para começar. E é da Biblioteca do Congresso, coisa de americano, sabe?

DR. MENGELE MANDA LEMBRANÇAS

Aqui, tenho de entrar num campo delicado. Sr. Gleiser o senhor é de origem judaica. Seu povo foi submetido a barbaridades inomináveis que vão da morte aos milhões, às diabólicas experiências dos médicos nazistas em mulheres judias. Ao projetar um "perverso" na imagem de ET, o senhor - nem que inconscientemente- sentiu um dos "X" do problema.

Mas também não demonstrou empatia pelas VÍTIMAS dos tais exames que o senhor cita.

Essas pessoas sofreram e sofrem muito. São coisas feitas arbitrariamente com seres humanos. Se julgadas pelos nossos parâmetros morais e jurídicos configuram seqüestro, cárcere privado, tortura, sevícias, estupro, experiências cruéis e até morte. Cicatrizes físicas e psicológicas, implantes de misteriosas peças metálicas. Então, cuidado: antes de caçoar de tais pessoas. Leia antes a peça "O Interrogatório" de Peter Weiss. por exemplo. Está lá o terrível depoimento de uma mulher judia quando lhe injetam algo como cimento no útero. Há muitas semelhanças nos "modus faciendi" em ambas as situações. Veja-se a história das duas Bettys, Hilll e Andreasson, que depois de seqüestradas e examinadas foram ambas submetidas à hipnose e até detector de mentiras. Leia Sr. Gleiser e veja se o senhor gostaria que fizessem o que fizeram com as duas, com sua mãe, sua irmã , ou sua esposa, ou sua namorada.

Então, Sr. Marcelo, temos receio de que se a vida existe em outros pontos do Universo, o Universo pode não ser a "compoteira de anjos" que muita gente imagina, como observou certa vez o meu saudoso colega Dr. Felipe Machado Carrión.

Então, senhor Gleiser: pimenta nos olhos dos outros é refresco?

CIENTIFICISMO E ALIENAÇÃO

"Sem dúvida, a descoberta de vida inteligente fora da Terra seria a mais importante na história da ciência. Imagine que maravilha se nós não estivermos sozinhos no universo, mas na companhia de várias outras civilizações. Poucos podem ter mais interesse nessa possibilidade que os cientistas. Mas como disse Carl Sagan é justamente quando nós queremos muito alguma coisa que devemos redobrar a nossa cautela, evitando transformar a nossa fantasia em realidade".

Bem, em primeiro lugar, devemos lembrar que tal experiência, a de contato entre civilizações não apenas culturalmente desiguais mas tecnologicamente desniveladas pode não ser tamanha maravilha. Isto é que é a fantasia. E aí é que devemos, talvez, é triplicar a nossa cautela evitando transformar nossa fantasia não em realidade, mas em pesadelo.

Os choques culturais entre os antigos conquistadores da América e da África com as populações indígenas locais, já são um bom exemplo a lembrar. Estes acharam uma maravilha, até confundiram seus futuros genocidas com deuses. E o resultado deu no que deu. Portanto há que se ter cautela é com as idéias fantasiosas de que -se presentes em nosso planeta- os alienígenas iriam procurar autoridades e cientistas e que nosso contato seria sem atritos. Nunca se ouviu dizer que um explorador tivesse contato em primeiro lugar com líderes de qualquer cultura, pois líderes e cientistas (ou pajés) costumam se isolar. A frase estereótipo "leve-me ao seu líder" não existiria se não fosse desse jeito. E é assim mesmo. O conquistador "namora" sua conquista pela base e não pelo topo da pirâmide social. Ele se infiltra paulatinamente. Conquista simpatizantes e até colaboracionistas, ou traidores. De Rahab em Jericó, passando pelos quinta-colunas nazistas e similares, a coisa é assim mesmo. É através desta ação simples que ele - o conquistador- acaba encurralando as lideranças de quem quer conquistar . Assim obriga-as a aceitar sua presença. Ou sua dominação.

Então, é preciso ter cuidado com esta gente, que está nos rondando faz tempo, e quem lhes diz já tem elementos para observar que a tática descrita não difere muito do que está acontecendo agora entre nós e "eles".

SIMPATIAS, ANTIPATIAS E NEUTRALIDADE CIENTÍFICA

Um dos principais problemas da ciência é a falsidade de seus pressupostos de posição neutra. Como diz Hilton Japiassu em "O Mito da Neutralidade Científica":

-"É até mesmo freqüente que aqueles que pretendem abster-se de qualquer juízo de valor, são os primeiros a ser infiéis à sua resolução, quer porque se tornam vítimas de instintos, de simpatias e antipatias incontroladadas, quer porque consideram como verdade científica, a doutrina que triunfa no momento, ou que tende a impor-se. E tudo isso, como se a objetividade se deixasse decidir pelo domínio do mais forte sobre o mais fraco".

E já que se citou Carl Sagan, ele declara em "Cosmos" também o seguinte:

-..."Neste caso não há casos estimulantes de visita extraterrestre apesar de todas as alegações sobre UFOs e antigos astronautas, que às vezes fazem parecer que nosso planeta está cheio de visitantes não convidados. Gostaria que fosse de outra forma" (grifo nosso)

Isto quer dizer: não são estimulantes porque os casos não se enquadram naquilo que ele gostaria que fosse. Antipatia descontrolada. Mas é o caso de se perguntar dialeticamente: e se estiver sendo deste jeito mesmo? Tese e antítese. A síntese fica para quem por ela se interessar. Que Hegel nos ajude.

Num programa de entrevistas pela TV, Sagan cortou asperamente o entrevistador a respeito de UFOS: "anedotas não!". Curiosamente o ex-ministro da Educação do Governo Collor, José Goldenberg havia precedido o Dr. Sagan , ao desrespeitar ,de uma vez, dois colegas de ministério ,Moreira Lima e Ozires Silva. Perguntado sobre o caso dos Mirage da FAB, cortou o repórter com um afetado e presunçoso: "brincadeira não!".

Vão ser neutros assim na China. Talvez nem lá, porque exatamente neste momento, a China está passando por uma onda de aparições de OVNI e o assunto é discutido lá desde os tempos do maoismo. Agora está pegando fogo de novo.

Só mais uma perguntinha: por que será que o Dr. Sagan escreveu "Contato" com aquele final? Ele que, aliás, nunca se debruçou sobre um só caso de UFO e sempre nos intimidou com seu terrorismo bibliográfico e erudito. E passa por entendido no assunto.

A RONDA, HUXLEY, ORWELL E ADORNO

A pior coisa de tudo isto é que estamos sendo rondados e clandestinamente observados por seres que não conhecemos. Por razões que ainda não nos é possível compreender, não se manifestam. Em compensação, a clandestinidade (furo ético) lhes permite fazer o que querem entre nós. Pois "não existem", ora! Não têm, portanto, de dar satisfações a ninguém.

Não sabemos como funcionou e funcionam as sociedade deles. É bom não ter ilusões quando a paralelismo entre progresso tecnológico e progresso humanístico. Isto é sofisma e a Alemanha Nazista, a ex-URSS e o próprio mundo ocidental estão aí que não nos deixam mentir.

É preciso não esquecer as sábias e terríveis suposições de Huxley em "Admirável Mundo Novo" ou de George Orwell em "1984". Huxley adverte que o progresso de uma civilização pode não levar obrigatoriamente à democracia. Pode também ocorrer o que ele chama de totalitarismo moderno. Ali a coerção seria desnecessária porque o escravo aprendeu a aprendeu a amar a escravidão.

E temos de lembrar Adorno em seu "A Personalidade Autoritária" onde se descreve, entre outros o tipo autoritário "manipulativo". Sóbrio, calmo, inteligente, divide tudo em campos esquemáticos administrativos, faz o que o sistema lhe manda e trata a tudo e a todos como objetos a serem manipulados. Infelizmente, muitos relatos de contatos com tripulantes de UFOs descrevem isto ou o pior. Lamentamos informar, mas tem sido assim.

E A LIBERDADE DE INFORMAÇÃO?

Por outro lado será a Ciência tão livre para tomar certas decisões? Sabe-se por exemplo que o projeto SETI tem no seu regulamento uma quantidade enorme de "mas" e "meios-mas", caso algum sinal inteligente seja captado. Será comunicado ao Presidente dos Estados Unidos, que aí se reunirá com não sei mais quem, para decidir se a coisa vai ser contada ao mundo ou não. Então o mundo da Ciência pode ter a fantasia pessoal de que é livre. Mas não o é: ela é condicionada por joguinhos de poder e de pressões como qualquer área de atividade humana.

A propósito temos o insuspeito depoimento do Dr. Joseph Allen Hynek em " The Hynek UFO Report" quando ele comenta (e se desculpa) porque classificou um bom caso de avistamento de UFO como "redemoinho atmosférico" nos seus tempos de consultor da USAF:

-"O falecido Dr. James Mc Donald ,professor de Física Atmosférica na Universidade do Arizona, nunca me perdoou por não ter feito tal recomendação (N.T: de investigação mais profunda) neste e muitos outros casos. Ele me acusou de mascarar dados e disse-me que eu tinha sido negligente em meu dever de ter proclamado a seriedade do fenômeno UFO ao mundo - um fenômeno que ele considerava o mais sério problema que a raça humana teria de encarar.

"O que certamente teria acontecido se eu tivesse feito isto? Eu sei muito bem. Sentado onde eu estava, de onde podia ver o placar de desempenho do Pentágono e muito bem , eu sabia que meus serviços seriam rapidamente dispensados sob o argumento de que não precisavam de nenhum 'maluco por discos-voadores'. Se eu fosse um Einstein, um vencedor de Prêmio Nobel, eu teria sido ouvido com cortesia, mas como um jovem professor de uma universidade do Meio-Oeste...Eu preferi esperar por mais e melhores dados".

Na verdade, o que o meu bom amigo não queria era perder o emprego. Mas pecadilhos e nessas circunstâncias todo mundo os tem. Errar é humano, perdoar é divino. Eu o perdôo.

Mas existe um cara que nenhum ufólogo perdoará nunca. Trata-se do Dr. Robert J.Low, coordenador do Projeto Condon, que, num memorando prévio a certos funcionários do projeto, antes mesmo deste começar, disse o seguinte:

..."Nosso estudo deve ser conduzido quase que exclusivamente por céticos, que embora não possam provavelmente, provar um resultado negativo, poderiam e provavelmente conseguiriam reunir um conjunto impressionante de provas de que não há realidade nas observações. O truque (sic) seria, penso eu, apresentar o projeto de tal forma, que para o público ele pareça um estudo científico, apresentando porém para a comunidade científica a imagem de um grupo de céticos que fez o máximo para ser objetivo, mas tendo uma expectativa quase nula de encontrar um "disco". Uma maneira de fazer isto seria concentrar a investigação não no fenômeno, mas nas pessoas ou grupos que dizem ter visto OVNIs. Se a ênfase for colocada nesta questão, mais do que na velha questão da

realidade física dos discos, creio que a comunidade científica compreenderá rapidamente a nossa mensagem... Estou inclinado a crer, neste estágio preliminar, que se fizermos a coisa direito, esforçando-nos em conseguir as pessoas adequadas e tivermos sucesso na apresentação da imagem que queremos à comunidade científica, poderemos liqüidar esta tarefa para nosso benefício". (Grifos nossos)

Êta maquiavelismo, sô!

TESTEMUNHOS ILUSTRES

Aqui no Brasil temos testemunhos ilustres que vão desde os pilotos da FAB e o fundador da EMBRAER, Ozires Silva (cujo avião sobrevoou um dos OVNIs de 1986) até pessoas como Rachel de Queiroz ("Objeto Aéreo Não Identificado"- crônica); Roberto Drummond ("Eu vi com estes olhos que não acreditavam em disco-voador"-crônica); Chico Buarque de Holanda ("aquilo era um congresso di discos-voadores" - Bar Academia -TV Manchete); Lô Borges, Márcio Borges e outros.

Quanto à FAB, os episódios que levaram o então ministro Moreira Lima a convocar a imprensa confirmar o ocorrido e deixar que pilotos falassem à vontade sobre o que viram - nem isto é novidade. Muito antes disto, precisamente no dia 2 de novembro de 1954, o Coronel Aviador João Adil de Oliveira convocou a imprensa e várias personalidades para uma conferência na Escola Superior de Guerra. Presentes várias personalidades como as escritoras Dinah Silveira de Queiroz (no futuro, a primeira mulher a entrar para a Academia Brasileira de Letras) e Lúcia Benedetti.

João Adil de Oliveira era um cara seríssimo e duríssimo. Comandara com mão de ferro os inquéritos da Aeronáutica que levaram Getúlio Vargas ao suicídio.

Pois bem: este mesmo homem permitiu então, que o Tenente Aviador Hernani Ferraz de Almeida e o Major-Aviador João Magalhães Mota , pilotos dos caças Gloster Meteor Mk.8 recém adquiridos pela FAB, portanto pilotos de elite, fossem liberados para contar ,a quem quisessem, como viram UFOs sobre a base de Gravataí-RS. Inclusive das tentativas baldadas de interceptação. A FAB tem seus pecados. Ora se abre, ora se fecha, mas tem sido bem mais liberal que a USAF ao longo desses anos.

Mais adiante, no artigo do Sr,. Gleiser, diz-se que "o incrível desses depoimentos e visões é que elas nunca acontecem com cientistas". Outra falta de conhecimento e informação.

Anexo a este meu artigo encontrar-se-á um fac-simile de uma carta de Clyde W. Tombaugh, descobridor do planeta Plutão. Ele viu uma formação de retângulos luminosos em Las Cruces, Novo México, no quintal da casa dele, em agosto de 1949. E com testemunhas. Confessa que nunca viu algo semelhante, refere-se com naturalidade às chamadas "luzes de Lubbock". Para quem não sabe, eram formações de discos em "V" ou talvez das primeiras visões de asas voadoras estranhas, cheias de luzes e que - talvez - pareceram UFOS isolados em formação aos observadores do passado. Vistas em Lubbock Texas nos anos cinqüenta. No fim diz que quanto a discos-voadores é neutro. Mas viu.

Outro testemunho importante, foi publicado pela Tribuna da Imprensa do Rio de Janeiro, em 14 de julho de 1959. O Dr. Mário Dias, do Observatório de Valongo, Rio, acompanhado pelos Drs. Sílio Vaz (Escola Técnica do Exército) e Luiz Eduardo Machado (Faculdade Nacional de Filosofia) viram a olho e nu e depois através de uma luneta equatorial com 200 vezes de aumento, um disco voador com detalhes que pareceram uma cúpula algo como uma cruz de Malta com luzes verdes. O observador não só descreveu e desenhou o objeto com riqueza de detalhes mas toda a sua mudança de trajetória e posição, contra quais estrelas e constelações passou, etc. etc. E assinou embaixo.

Finalmente temos um testemunho por escrito do astrônomo e meteorologista (carta em fac-símile) Dr.Seymour Hess da Florida State University, ocorrido em 20 de maio de 1950.

Há muitos outros, mas bastam este, cremos, para negar a afirmação precipitada do Sr. Gleiser.

Entretanto mais precipitado ainda é ser elitista e cientificista a ponto de negar qualquer importância ao que nos venha pela via popular., ou seja pelo folclore. Sabemos que muitas coisas foram descobertas primeiro pelo povo, para depois serem referendadas pelos cientistas. Ervas medicinais, metais preciosos, instrumentos de trabalho, animais desconhecidos, etc. Aqui lembramos o educador Gramsci quando afirma:

"O folclore não deve ser concebido como algo bizarro, mas como algo muito sério e que deverá ser levado a sério. Somente assim o ensino será mais eficiente e determinará realmente o nascimento de uma nova cultura, isto é, desaparecerá a separação entre cultura moderna e cultura popular ou folclore".

EPÍLOGO

Sou uma pessoa que estudou Física e graças ao muito que se esforçou e trabalhou, tem umas nove qualificações profissionais, inclusive na área de comunicação. Lutei muito na condição de jornalista-colaborador e para se ter uma idéia, a primeira concepção artística do avião IPD-6504 que se tornaria o EMB-110 ,o "Bandeirante -publicada na imprensa internacional foi desenhada por mim. Não tenho doutorado mas sou professor competente, com trabalhos registrados nos anais da Sociedade Brasileira de Física na área do ensino. Como radialista registrado, especializei-me em MPB e durante minha carreira, é mais fácil saber quem eu não entrevistei do que quem eu não entrevistei.

Mas gostaria de afirmar, que sou antes de tudo um ufólogo. Sim, pertenço a esse imenso "exército de Brancaleone" que há quase meio século tenta acompanhar o fenômeno que a ciência do "establishment" foi INDUZIDA a desprezar. Somos trapalhões às vezes, mas somos todos muito corajosos. Somos todos muito idealistas. Somos pessoas sacrificadas em nossas vidas pessoais e discriminados. E nunca tivemos a oportunidade de nos dedicar ao nosso interesse maior em tempo integral. Esta é uma das nossas maiores limitações. Não é culpa nossa. É de quem nos deprecia e nos sabota.

Este negócio de "lendo calmamente o jornal da manhã" é coisa para personagens focalizados por exemplo, por Edmundo Campos em "A Sinecura Acadêmica" ou na figura do Dr. Pangloss em "Candide" de Voltaire. Vivem no melhor dos mundos, na placidez dos "campi". Seja como trabalhador e educador, levei o saber a cantos onde o Dr. Gleiser jamais poria os pés. Como investigador ufológico estive em lugares inóspitos, desconfortáveis e insalubres, onde o Dr. Gleiser, idem, idemT trabalha-se duro quando se é ufólogo. Mas não sou nenhum herói. Sou como todos os meus companheiros do mundo e por eles, não só peço mas exijo respeito.

Encerro aqui com as palavras do Dr. Jacques Vallée em "Messengers of Deception":

“Algum dia nossa sociedade pagará o preço pela falta de atenção científica ao fenômeno UFO. Quando mais testemunhas sinceras vierem a público com suas histórias, somente para serem sumariamente rejeitadas pelas instituições militares ou acadêmicas, nas quais pensavam que podiam confiar, uma lacuna crescente será criada”.

Não somente o público pode virar as costas à Ciência de qualquer forma (e se tornar cético sobre o valor do seu investimento em pesquisa de energia e tecnologia espacial), mas também poderá procurar um substituto em filosofias de consumo e pseudociências.".

Mais adiante finaliza:

"Receber uma visita do espaço exterior parece tão confortável como ter um Deus. Ainda assim não deveríamos nos regozijar tão cedo. Talvez tenhamos os visitantes que merecemos".

Como dizia Millor Fernandes, pano rápido.

----------------------------------

BIBLIOGRAFIA RECOMENDADA: (em ordem alfabética de autores)

1. Adorno, Theodor e outros - The Authoritarian Personality- NY- John Wiley and Sons-1950/1964 -volumes 1 e 2.

2. Allen, John E. - Aerodynamics -The Science of Air in Motion -London- Granada-1982

3. Campos, Edmundo- A Sinecura Acadêmica- Rio -UFF-

4. Carrion, Felipe Machado - Discos Voadores - Imprevisíveis e Conturbadores- Porto Alegre- Edição privada- 1968

5. Catoe,Lynn-" UFOS and Related Subjects- An Annotated Bibliography"- Washington-Library of Congress-1968

6. Fowler, Raymond E. - The Andreasson Affair - New Jersey - Prentice Hall- 1979

7. Fuller, John- The Flying Saucer Fiasco- LOOK Magazine-NY-14/5/1968

8. Gramsci, A -Literatura e Vida Nacional -Rio- Civilização Brasileira- 1978

9. Huxley, Aldous - Admirável Mundo Novo (Brave New World)- Porto Alegre- Globo-trad.Vidal de Oliveira e Lino Vallandro- 1979

10. Hynek, Joseph Allen- The Hynek UFO Report - NY- Dell -1977

11. Hynek, Joseph Allen- The UFO Experience - NY- Ballantine - 1972

12. Hynek, Joseph Allen; Imbrogno Philip J; Pratt Bob - Night Siege- The Hudson Valley UFO Sightings- NY -Ballantine - 1987

13. Japiassu, Hilton- O Mito da Neutralidade Científica- Rio- Imago-1975

14. Japiassu, Hilton- Interdisciplinaridade e Patologia do Saber - Imago 1975

15. Jockyman, André- Capital dos OVNI- revista ISTOÉ- nº 1417- São Paulo- 27/11/96

16. Keel, John A -UFOS: Operation Trojan Horse - Putnan- 1970

17. Meessen Auguste, Brenig, Leon e outros- Vague D'OVNI sur la Belgique-Bruxelas-SOBEPS-1991 - 1994-(volumes 1 e 2)

18. Perrin, R.Jack- Le Mystère des OVNI- Paris- Pygmalion -

19. Pratt, Bob- UFO Danger Zone- Terror and Death in Brazil- Madison-Horus House-1996

20. Sagan, Carl - Cosmos- Ballantine-1980

21. Stinton, Darrol - The Anatomy of the Aeroplane -Londres- Granada -1966

22. Vallée, Jacques - Messengers of Deception - Berkeley- And/Or Press- 1979

23. Webb, David - 1973-The Year of the Humanoids- Evanston -CUFOS- 1976

Dados sobre o autor:

Licenciado em Física (com habilitação para Matemática e Química)

Radialista- (produtor, locutador apresentador e entrevistador, diretor de programas)

Jornalista colaborador especializado em Aviação e Educação

Artista (diretor, iluminador e cenógrafo)

Técnico em Espetáculos (operador de luz, diretor de produção e sonoplasta)

Cargo Atual: Técnico em Assuntos Educacionais - Pesquisador de comportamento de mídia na Assessoria de Comunicação Social do Ministério da Cultura - Brasília (0xx61-316-2205)

Ufólogo - desde 1954 notadamente junto ao CICOANI (BH), APEX (BH) e AMPEU (BH).

===============================================================Traduções de cartas e relatórios citados no texto acima

===============================================================

Relato do astrônomo Dr. Mario Dias do Observatório de Valongo Rio de Janeiro em 14 de julho de 1959 e publicado pelo jornal "Tribuna da Imprensa"

"O disco-voador foi visto a olho desarmado perto da estrela Gama do Grou e ainda pelo telescópio e a luneta. Emitia luz esverdeada, voando em velocidade espantosa. Percurso do objeto: 22:10 h junto à constelação do Índio;22:20h perto do Cruzeiro do Sul;22:30 no horizonte na constelação de Argos. Vi o disco em duas lunetas uma móvel e outra fixa. Acredito que os discos-voadores não são construídos na Terra".

.............

"Expelia jato de luz com aproximadamente 1/3 do tamanho do disco Projetava para o solo, quase verticalmente, luz avermelhada. O desenho em cruz de malta luminosa aparecia na parte inferior. A olho desarmado era três vezes maior que Júpiter. Aparência metálica".

Relato do astrônomo Sílio Vaz, também professor da Escola Técnica do Exército, na mesma data:

O jato luminoso, a velocidade de deslocamento e os movimentos de translação não são próprios de um balão comum. O objeto dava a impressão de ser controlado. Em vinte minutos descreveu um arco de 130 graus. Ví-o pela primeira vez a olho nu e posteriormente com telescópio de 200 aumentos. Sua luz era verde, fixa e não cintilante."

Relato do Astrônomo Luiz Eduardo Machado, professor da Faculdade de Filosofia da Universidade do Brasil:

"Observei o objeto na (luneta) equatorial do Observatório de Valongo. Era um disco com saliência cônica na parte central e jogo de luzes verdes separadas , formando oticamente uma cruz de malta. Havia seis luzes em cada braço num total de 24"

Outros observadores:

Professor Ari da Mata, na Tijuca.

Visto também do Aeroporto de Santos Dumont onde a ocorrência foi registrada no Livro de Registros da Torre de Controle pelo técnico-chefe. O fato foi comunicado imediatamente ao Oficial de dia do QG da 3ª Zona Aérea da FAB.

Fonte: "Discos Voadores- Imprevisíveis e Conturbadores"- Prof. Felipe Machado Carrión - (Porto Alegre-RS)

==============================================================================

Tradução do fac- simile da carta de Clyde W. Tombaugh, descobridor do planeta Plutão, acerca de sua visão de um UFO.

Parte datilografada:

"Eu vi objeto em torno das onze,uma noite de agosto de 1949 do quintal de minha casa em Las Cruces Novo México. Acontecia de eu estar admirando o zênite, admirando o belo e transparente céu de estrelas, quando subitamente eu vi um grupo de retângulos de luz fracamente iluminados de um verde-azulado, similar às "Luzes de Lubbock". Minha esposa e minha mãe estavam sentadas no quintal comigo e viram também. O grupo se moveu no sentido sul/ sudeste e cada retângulo pareceu se encurtar, seu espaço de formação pareceu menor ( primeiro tinham um grau de extensão) e ficaram mais embaçados, esmaecendo-se da vista a cerca de 35° sobre o horizonte. O tempo total de visibilidade foi de três segundos. Eu estava muito espantado (em nota manuscrita abaixo :muito apanhado de surpresa) para contar o número de retângulos de luz ou notar outras características. Eu pensei a respeito depois. Não havia som nenhum. Já fiz milhares de horas de observação noturna mas nunca vi um avistamento tão estranho como este. Os retângulos eram de luz tão fraca que se fosse em tempo de lua cheia no céu , tenho certeza de que não teriam sido visíveis.

Parte manuscrita:

Clyde W. Tombaugh

27 de fevereiro de 1955

Eu não acredito que outro planeta do sistema solar além da Terra tenha condições físicas de suster vida inteligente. Mas podem haver planetas favoráveis orbitando em torno de outras estrelas, que estão vastamente mais distantes.

Eu não sei se discos-voadores são terrestres ou não, então sou neutro.

Fonte: "Discos-voadores, Imprevisíveis e Conturbadores"

Prof. Felipe Machado Carrión- Porto Alegre (RS)

===============================================================

Tradução da carta do astrônomo e metorologista Dr. Seymour Sess- Florida State University ocorrida no Observatório de Lowell em 20/5/1950

Eu vi o objeto entre as 12:15 12:20 da tarde, no dia 20 de maio de 1950, na área do Observatório de Lowell. Estava se movendo do sudeste para o nordeste. Era extremamente saliente (NT: relevo) e mostrava algum tamanho a olho nu isto é, não era apenas um pontinho. Durante a Segunda metade sua visibilidade eu o observei com binóculos (4 x). Primeiro parecia um para - quedas inclinado em ângulo em relação à vertical, mas o mesmo efeito poderia ter sido produzido por uma esfera parcialmente iluminada pelo sol, parcialmente na sombra ou por um objeto discóide, também. Provavelmente há outras configurações que dariam a mesma impressão sob iluminação e inclinação apropriadas. Eu o pude ver bem o bastante para ver que não era aeroplano (nem hélices nem asas estavam aparentes) nem um pássaro. Não vi evidência de gases de exaustão e nenhuma marca no objeto.

Felizmente o objeto passou entre eu e um pequeno e brilhante cúmulus (nuvem) no Noroeste. Daí que ele estava ao nível ou abaixo da nuvem. Alguns segundos depois ele desapareceu, aparentemente para dentro da nuvem.

Contra o céu ele era muito brilhante, mas contra a nuvem era escuro. Isto pode Ter sido produzido por um corpo cinza que brilharia contra o céu relativamente escuro mas escuro em relação a nuvem brilhante. Alternativamente, se o objeto estivesse meio ao sol e meio sombreado, a parte iluminada não daria contraste, enquanto que a outra parte apareceria escura.

Eu imediatamente telefonei para o Escritório de Previsão do tempo (2-3 milhas do observatório). Eles estavam estimando que a nuvem , como estando a 6000 pés sobre o solo. Na verdade estimativas de alturas de nuvens são muito arriscadas, e obtive suas observações de temperatura e

Ponto de orvalho e do que se sabia razões de lapso destas quantidades numa atmosfera convectiva, eu calculei a altura da nuvem a 12.000 pés. Eu acho que este último resultado é o mais acurado, porque na tarde os cúmulus aumentaram mas todo o tempo ficaram bem acima das montanhas da vizinhança que são de 6000 pés de altura.

Daí, tendo alguma idéia da elevação do objeto e de seu diâmetro angular n( equivalente a um a moeda de um dime vista a 50 pés a olho nu, eu calculei seu tamanho entre 3 a 5 pés, para uma altura de seis a doze mil pés, e um ângulo de zênite de 45°. Esta estimativa ,de tamanho poderia ter facilmente um fator de erro de dois, mas tenho certeza que era um objeto pequeno.

As nuvens estavam se deslocando do sudoeste para o nordeste em ângulos retos em relação ao movimento do objeto (NT: não se movia na direção do vento) .Daí que ele deveria ser propulsionado de alguma forma. Eu não tive o tempo, mas pela elevação eu estimaria sua velocidade cerca de 100 milhas por hora, talvez quase umas duzentas milhas por hora. Isto significa uma nave com propulsão. Entretanto não ouvi nenhum barulho de motor.

Seymour L. Hess

Em manuscrito: isto é uma cópia do relato feito uma hora depois da observação

=================================================================

Tradução de carta pessoal do Dr.Prof. Joseph Allen Hynek, da Northwestern University, primeiro consultor da Força Aérea dos Estados Unidos,na época fazendo das tripas coração para consolidar o Center for UFO Studies, para o professor Alberto Francisco do Carmo

CUFOS- CENTER FOR UFO STUDIES

924 Chicago Avenue Evanston Ill.60202

Alberto Francisco do Carmo

Rua Padre Francisco Arantes, 151/205

Vila Paris Belo Horizonte - M.G. -Brasil

26 de setembro 1977

Caro Alberto

Já faz tempo que estou dando voltas para responder sua longa carta de há muito tempo, este ano. Mas talvez melhor tarde do que nunca.

Espero, primeiramente, que sua esposa e você estejam de novo em boa saúde. E Espero que seu filho tenha mantido seu recorde de boa saúde. O que você está fazendo agora, profissionalmente?

Agora, a respeito de UFOs. O que você e Húlvio estão fazendo agora? Antes que eu me estenda mais, dê ao Húlvio minhas melhores lembranças e conte-lhe que o Governo Francês acabou estabelecer recentemente uma comissão profissional para estudar UFOs e que o Dr. Claude Poher a está chefiando. E parece que a nossa NASA começará a olhar o problema de UFOS por sí própria. Assim, as coisas estão muito melhores agora do que um ano atrás.

Seu relato dos acontecimentos na região do Vale do Rio das Velhas é fascinante e espero que isto possa ser apropriadamente escrito algum dia. Sua descrição de como os "caipiras" sentem-se sobre UFOS foi muito interessante assim como o jeito que eles aceitam a coisa em geral.

Muito obrigado pelos detalhes do caso de Hermelino Silva de 5 de Maio de 1976 ou 5 de Setembro de 1976 ( Povos diferentes têm meios diferentes de expressar 5/9/76. Isto é 9 de maio ou 5 de setembro?). Por isto eu gosto de pôr as datas por extenso para evitar isto e não há malentendidos.

Por favor informe-me se os olhos e joelhos machucados de Hermelino melhoraram e quanto durou. Seus problemas voltaram?

Vocês têm uma fonte tão rica de informação sobre UFOS que eu fico até com inveja. Não seria ótimo se o Governo Brasileiro finalmente acordasse e estabelecesse alguma comissão científica apropriada? Talvez o façam. Eu pensei que no tempo de minha visita a ocasião estava pronta para isto mas de repente algo saiu errado e nada resultou de minha visita. Nunca soube o que saiu errado, mas suponha que tenha sido política de alguma espécie.

Se você e Húlvio tiverem algumas idéias disto, eu gostaria de ouví-las.

Estou mandando, em correspondência separada alguns materiais do Centro. Por favor partilhe-os com Húlvio.

Mimi manda as melhores lembranças e ainda está esperançosa de um dia voltar ao Brasil de novo, provavelmente sozinha e gastar tempo suficiente para trabalhar sério, especialmente com você e Húlvio. Acho que se ela, pudesse ficar algumas semanas aí, isto produziria alguns bons resultados.

Seu pedido de estabelecer contato de novo, eu o apoio inteiramente e não somente contato, mas eu sugiro enfaticamente uma correspondência bem freqüente. Enquanto isto mantenha o trabalho muito bom que você e Húlvio estão fazendo. É extremamente importante que os melhores casos de contatos imediatos seja registrados e comparados com outros casos e em outros países. Talvez você esteja interessado em saber que o UFOCAT o nosso banco de dados computadorizado já tem mais de 60.000 relatos individuais registrados nele. (NT: começo do CUFOS em 1976) Não dúvida mais de que o Center for UFO Studies é uma organização permanente e continuará a crescer , ao menos no que concerne ao hemisfério norte, e se tornará o foco central para pesquisa do assunto UFO

Uma vez mais, por favor estenda minhas melhores lembranças de Mimi e eu a Húlvio e a você e por favor responda-nos antes do fim de Outubro! Eu esperarei muito ter notícias de você, mesmo.

Sinceramente

Allen

J.Allen Hynek

Como se vê, nosso grau de intimidade ia ao ponto dele se preocupar e perguntar por mim, meu filho e principalmente minha esposa que tivera sérios problemas de pós parto. Eu lhe dissera que a sorte, é que meu filho se mantivera sem problemas senão seria uma carga muito grande para mim.

Veja-se o tom de respeito e até de "inveja" pelas oportunidades que a gente tinha com aparições de UFOS no Brasil. Como ele esperava muito de muita gente, inclusive do governo brasileiro e nada foi feito. Ele ficou muito tocado pela experiência de poder podido visitar o Congresso Brasileiro e discursar em plenário sobre UFOS. E nada pudemos fazer pois nunca tivemos auxílio de ninguém. Como se diz, recordar é viver.

www.socex.net

www.vidainteligente.blogspot.com